sábado, 25 de outubro de 2014

O que o estresse faz com a digestão

Hábitos de vida como dormir pouco, comer mal e ser sedentário, agravam os problemas no sistema digestivo. Conheça as doenças causadas pelo estresse


Úlcera

É o processo de destruição da mucosa do estômago e duodeno, atingindo camadas profundas. Em outras palavras, seria como uma ferida no órgão.
Causa: uso de medicamentos anti-inflamatórios, álcool, infecção gástrica pelo Helicobacterpylori e estresse alteram a mucosa protetora, deixando-a vulnerável ao ácido clorídrico utilizado na digestão.
Relação com o estresse: pessoas estressadas podem ficar muito tempo sem comer. No primeiro caso, o ácido clorídrico age diretamente na mucosa. No segundo, é necessária uma maior quantidade da substância para quebrar os alimentos.





Gastrite

Uma inflamação na mucosa do estômago.
Causa: remédios anti-inflamatórios, álcool, estresse e infecção pela bactéria Helicobacter pylori. “Ela é capaz de destruir as ligações entre as células gástricas, permitindo que o ácido penetre por entre as células e danifique o tecido abaixo e a própria mucosa”, diz Ivan Stabnov gastroenterologista do Hospital Adventista Silvestre.
Relação com o estresse: em linhas gerais, os hábitos alimentares comuns em pessoas estressadas – como o jejum prolongado e a má mastigação – são os vilões à medida que aumentam a agressão à mucosa. O estresse pode provocar dor abdominal similar a da gastrite.





Má digestão

É a sensação de que a digestão não está se processando adequadamente. Pode vir acompanhada de empachamento, gases e dores.
Causas: diversas, incluindo estresse, gastrite, problemas de vesícula biliar ou pâncreas, álcool, doenças crônicas e má alimentação. O excesso de gorduros retarda o esvaziamento gástrico.
Relação com o estresse: ele aumenta a produção de ácido e a deglutição de ar, que causa náusea. Estudo da Dartmouth Medical School, (EUA), mostrou que outros sinais vinculados ao estresse – distúrbio do sono e ansiedade – potencializam a má digestão e a dor.





Doenças inflamatórias

Inflamações por mecanismo autoimune. “A retocolite ulcerativa acomete o intestino grosso, enquanto a doença de Crohn pode atingir da boca ao ânus”, diz Rodriguo R. Henriques, gastroenterologista do Hospital Badim (RJ).
Causa: autoimune.
Relação com o estresse: funciona como um gatilho para inflamação, mas seu papel é pequeno.





Náusea

Sensação de estômago embrulhado, com necessidade de se colocar seu conteúdo para fora.
Causa: gravidez, embriaguez, enxaqueca, labirintites, lesões cerebrais, altitude, ansiedade e estresse.
Relação com o estresse: “O ansioso engole muito ar, provocando distensão gástrica e náusea”, diz Stabnov.





Refluxo gastroesofágico

É o fluxo exacerbado do conteúdo líquido do estômago para o esôfago.
Causas: elas podem ser diversas, mas a mais aceita é a pouca coordenação entre a deglutição e o relaxamento do esfíncter esofagiano.
Relação com o estresse: “O estresse promove maior secreção ácida pelo estômago. O líquido, torna-se mais lesivo”, aponta o gastroenterologista Rodriguo.





Intestino irritável

O intestino passa a apresentar sensibilidade em situações corriqueiras, como passagem de gases e de fezes. Há indigestão, desconforto, diarreia ou prisão de ventre e urgência evacuatória, sem alterações orgânicas.
Causa: não está clara. Há hipótese de problemas musculares e indícios que, em alguns casos, os sintomas aparecem após infecções intestinais.
Relação com o estresse: o estresse influencia os movimentos do tubo digestivo e as ramificações nervosas do cólon, podendo levar a desconforto e dor.



Texto: Leonardo Valle / Ilustração: Isa Santos / Adaptação: Clara Ribeiro
Revista VivaSaúde - Edição 133

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