sábado, 22 de outubro de 2016

Tempo máximo de vida seria de 115 anos. Mas como você estará se viver até lá?

Forster Forest/Shutterstock
O progresso tecnológico, desde o século 19, vem determinando uma elevação da expectativa de vida. Na virada para o século 20, ela ficava entre 40 e 50 anos, e hoje chega à casa dos 80. Mas agora, essa linha ascendente parece ter encontrado um limite.


Isso é o que sugere um novo e importante estudo, conduzido por Jan Vijg, um especialista em envelhecimento do Albert Einstein College of Medicine. Junto com seus colegas pesquisadores, ele analisou dados demográficos de 40 países e chegou à conclusão de que um de nós já atingiu um pico de longevidade de 122 anos e que a tendência agora é que os seres humanos cheguem, no máximo, aos 115 anos.

115 anos: idade limite para a vida humana

A expectativa de vida e o tempo máximo de vida para um ser humano aumentaram entre o século 19 e a atualidade. Na França, por exemplo, Jan Vijg e seus colegas detectaram um número expressivamente maior de pessoas que sobrevivem até a velhice (acima dos 70 anos) hoje em comparação com a época de 1900. Na Suécia, a idade máxima pulou de 101 para 108 anos entre 1980 e 1990.


Como resultado desse aumento progressivo do tempo de vida que durou mais de um século, passou a ser considerada a hipótese de que a expectativa de vida e a idade máxima atingida por um ser humano poderiam continuar a ser prolongadas por intervenções genéticas e farmacológicas. Consequentemente, chegaríamos a um momento em que não haveria limitadores à longevidade.

Anos que podemos viver

Para testar essa colocação, os pesquisadores usaram dados demográficos para avaliar se, de fato, a expectativa e o limite máximo de vida continuam a aumentar naturalmente. Os resultados indicaram que o aumento da expectativa de vida aconteceu e alcançou um platô na década de 80.


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Para comprovar esses resultados, os pesquisadores voltaram a atenção para as “pessoas mais velhas do mundo”, aquelas que têm 110 anos ou mais. Apesar de a idade no momento da morte ter aumentado rapidamente entre a década de 70 e 90, foi alcançado um platô próximo a 1997, quando a francesa Jeanne Calment, a pessoa mais velha de que já se teve notícias, morreu aos 122 anos.

Kristo-Gothard Hunor/shutterstock

Até 1995, havia um crescimento nas idades máximas, que deixou de ser significativo depois desse ano e passou, em seguida, a ser decrescente, estabilizando-se, por fim, em 115 anos. Casos como o de Jeanne, com idades ainda mais avançadas, ainda podem acontecer, mas são raridades, exceções que, por motivos desconhecidos, superam essa marca.


A conclusão dos pesquisadores é que existe, portanto, um limite natural para o tempo de vida, e que ele não obedecerá, em termos mundiais, a linha crescente que permaneceu até os anos 90.


O geriatra Jarbas Roriz, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, explica que, aqui no Brasil, as coisas acontecem de uma maneira um pouco diferente. “A nossa expectativa de vida é de 75 anos, mas ela ainda está crescendo. A expectativa de vida vai aumentar muito, por exemplo, se nós conseguirmos diminuir o número de mortes causadas pela violência”. Outros fatores que influenciam são a qualidade do sistema público de saúde, os programas de vacinação e outros cuidados preventivos de saúde. O mesmo acontece em outros países pobres e em desenvolvimento, como os da África e América Latina.

O que limita a vida humana?

“Os limites da duração da vida podem ser determinados por uma série de códigos referentes à longevidade incrustados no genoma humano que combatem resultados inesperados, como imperfeições herdadas na transformação de informação genética em atividade celular”, dizem os pesquisadores no estudo.


Para estender a vida humana além desses limites, seriam necessárias intervenções que vão além de uma melhora da saúde. Essas possibilidades, apesar de algumas já estarem em estudo, estão restritas à infinidade de variações genéticas que determinam a longevidade.

Como é viver com 115 anos

Lucidez

O geriatra Jarbas Roriz conta que, atualmente, sabe-se que é possível viver até os 125 anos com 60% do funcionamento cerebral, o mínimo necessário para uma adequada atividade do cérebro.


Caso alguém viva além dessa idade, a tendência é que haja uma diminuição da cognição, causando problemas de memória, desorientação em relação ao tempo e espaço, alteração de raciocínio, entre outros fatores genericamente chamados de “perda da lucidez”.


Por outro lado, demências, como o Alzheimer, tendem a encurtar o tempo de vida. “Alguém que acabou de descobrir o Alzheimer tem, em média, de 10 a 15 anos de expectativa de vida”, explica o geriatra. “Isso acontece em função de complicações como diminuição da mobilidade, desordens nutricionais, distúrbios de deglutição, feridas e infecções”.

Independência

À medida que se envelhece, ocorre uma incapacidade progressiva, marcada pela perda de autonomia e pela deficiência funcional. O momento em que isso acontecerá vai depender da reserva que cada um constituiu durante a vida: a alimentação adequada, o estímulo cognitivo, a prática de exercícios físicos, entre outros hábitos saudáveis.

beolvy/istock

“A somatória desses fatores é que dirá se o indivíduo irá deixar de ser autônomo”, explica o médico. “Há centenários ainda com autonomia e independência”. A genética também é importante, mas em menor escala. Ela influencia entre 20% e 25% nesse processo.

Estado emocional

O geriatra explica que a incidência de depressão aumenta muito com o envelhecimento, mas entre os centenários os sintomas tendem a ser diferentes. “Não são os sintomas de tristeza, mas de apatia, é uma depressão que se apresenta de maneira diferente, é mais existencial”.

Fonte: VIX-  por Manuela Pagan

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