sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Depressão será mais comum do que câncer e problemas cardíacos até 2030, diz OMS

wundervisuals/istock
A depressão é uma das doenças que mais matam pessoas no mundo, de acordo com a psiquiatra Susan Abram, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. As taxas de mortalidades mundiais são maiores que 30%, como reportado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


De acordo com previsões do órgão, até 2030 a depressão vai ser a doença mais comum no planeta. Ela vai ultrapassar os índices do câncer, dos problemas cardíacos e de outras doenças infecciosas.




Segundo a pesquisa da revista científica BMC Medicine, já são cerca de 121 milhões de pessoas diagnosticadas, número que é quatro vezes maior que o de portadores de HIV, por exemplo (33 milhões). Dentro desses números, outro ainda mais alarmante: o Brasil já ocupa o primeiro lugar.

Principais causas e consequências

 

“Em torno de 850 mil pessoas por ano morrem por causa da depressão no país”, revela o médico psiquiatra Mario Louzã, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Isso sem contar os impactos nos outros âmbitos da vida: familiar, profissional, pessoal. “As consequências dependem da gravidade, mas o risco de suicídio é o mais grave, diz Louzã.


De acordo com o médico, sabe-se que existem fatores genéticos que colaboram com predisposição à doença, além de fatores ambientais que, em geral, estão ligados a situações de estresse, e em alguns períodos específicos da vida (a menopausa, por exemplo).


Infelizmente, o julgamento ainda é muito comum. Ainda associam a doença à fraqueza de caráter e acham que só 'força de vontade' é capaz de curar a doença. Mas de acordo com Louzã, “a verdade é que a depressão tem uma base neurobiológica, decorrente de um desequilíbrio do funcionamento de alguns neurotransmissores no cérebro. Daí a importância de procurar ajuda médica quando os sintomas descritos estiverem se manifestando”, explica ele.

Sintomas

Os primeiros sintomas da depressão são caracterizados por uma mudança sutil no modo de ser e agir do paciente: menos sensação de alegria no dia-a-dia, tristeza sem motivo aparente, desânimo, falta de prazer nas atividades, entre outros.

Mas a doença se caracteriza por vários outros sintomas. Dentre eles, pensamento negativo (ideias de fracasso, incapacidade, culpa, pensamentos de morte), alterações do sono, falta de libido e de apetite, além da falta de vontade de sair da cama.

Segundo o psiquiatra, é muito importante diferenciar a depressão da 'tristeza normal', decorrente de ocasiões tristes ou difíceis da vida. “Esta, em geral, tem um perfil menos intenso, e tende a desaparecer com o tempo ou quando o problema é solucionado”, explica ele.

Tipos de depressão

De acordo com o psiquiatra, existe uma divisão básica entre os tipos de depressão. A chamada “Recorrente” (“unipolar”), em que a pessoa tem apenas episódios depressivos ao longo da vida. E também a denominada “Depressão bipolar”, em que a doença ocorre no âmbito do Transtorno Bipolar, quando a pessoa tem manifestações de personalidades diferentes.

Tempo de duração

Um episódio depressivo não tratado pode durar meses, diz Louzã. Muitas vezes, “a tendência é de que a doença permaneça ao longo da vida toda da pessoa, tornando-se uma depressão continua e mais difícil de tratar (depressão resistente)”, aponta ele.

Tratamentos

O tratamento da depressão envolve o uso de antidepressivos, associados à psicoterapia. A doença é grave, afirma o médico, e pode se tornar crônica. Portanto, antes de fazer um julgamento sem conhecimento de causa, é essencial buscar informação e esclarecer as dúvidas com um profissional médico. “Só assim, a depressão deixará de ser tão estigmatizada”, completa.

Fonte: VIX-  Escrito por Patrícia Beloni

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