terça-feira, 27 de junho de 2017

A história do menino que sobreviveu na natureza entre os lobos

“Eu tenho a sensação de ter aprendido muito com os lobos e pouco com os homens”. Esta é a frase que define perfeitamente grande parte da vida de Marcos Rodríguez Pantoja, o menino de Cazorla, que viveu durante o período pós-guerra no meio da natureza, tendo os lobos como única companhia.


Durante doze anos da sua vida Marcos foi forçado a sobreviver e conseguiu: aprendeu a caçar o seu próprio alimento, fazer as suas roupas e viver em bando.

Seu pai, que não tinha meios para mantê-lo, o vendeu para um pastor que morreu na floresta, deixando-o completamente sozinho quando ele tinha sete anos. Ninguém poderia imaginar que doze anos depois esta criança tivesse conseguido sobreviver e se tornado um homem forte de dezenove anos.


Até hoje, Marcos sente que não se adaptou completamente à sociedade e acredita que o mundo dos homens é muito superficial: “as pessoas se preocupam com as roupas que vestimos, se fazemos ou não uma boa combinação das peças”.


Ele não consegue entender por que os seres humanos se queixam tanto, quando na realidade têm tudo para seguir em frente, sobreviver e ser feliz. Ele diz que o período que passou na floresta foi a época mais feliz da sua vida, especialmente porque ele aprendeu a caçar e nunca lhe faltava comida.

Os lobos eram a sua única família

Quando Marcos ficou sozinho na floresta, jamais imaginou que encontraria outra família para acolhê-lo. No entanto, uma alcateia de lobos decidiu adotá-lo. Começaram por lhe ceder as sobras da comida que haviam caçado. Aos poucos, os lobos mais velhos começaram a tratá-lo como um filhote.



Ao contrário do que você pode acreditar, o pequeno Marcos não queria voltar para a sociedade. Quando criança, ele havia sofrido com os maus-tratos da sua madrasta e a negligência do seu pai. Ele sentiu na pele o ódio, a crueldade, a fome, a pobreza e, portanto, rejeitava tudo o que tinha a ver com esse mundo.


Na natureza, ele se sentia amado pelos animais: as raposas, os ratos, e acima de tudo, os lobos, cuidavam dele como ninguém havia feito antes.
O antropólogo que escreveu a tese sobre este caso, Gabriel Janer, diz que Marcos não está inventando nada, mas imaginando um amor que possa cobrir a sua necessidade de afeto, o amor que não recebeu quando era criança.


E os lobos conseguiram suprir. Graças a eles, Marcos se sentia amado, cuidado e, isso contribuiu para que fosse feliz na natureza. Quando ele se lembra do dia em que a Guarda Civil o encontrou e o trouxeram de volta para a sociedade, não sabe se eles fizeram algo bom ou ruim, porque a partir dali começou para ele a dura vida do homem; na sua opinião, mais difícil do que na natureza.

A vida em sociedade

Voltar para a sociedade significa fazer coisas que talvez você não queira fazer: trabalhar para ganhar dinheiro e comprar comida, sofrer com a inveja, o ressentimento e a zombaria dos outros homens. De acordo com Marcos, vivendo com os lobos ele não precisou enfrentar nada disso.


Desde que chegou ao mundo dos humanos, estão sempre tentando enganá-lo, tiram proveito da sua ingenuidade. “Eu não sabia o que era o dinheiro e não me importava com ele. Eu não entendia por que precisava de dinheiro para comer uma maçã “.


A sociedade, como a conhecemos, é caracterizada por incutir no homem uma série de necessidades que ele realmente não tem. São as falsas necessidades.
 As pessoas sofrem por causa destas pseudonecessidades, quando na verdade já temos tudo que é necessário para viver bem. A publicidade enganosa com que somos bombardeados tem uma grande parcela de culpa, mas nós potencializamos o seu efeito quando apoiamos as ideias que outros defendem e que só favorecem os seus interesses.
Marcos não entende por que as pessoas se queixam tanto em um mundo de tanta abundância. Não é preciso caçar, compramos roupas prontas, temos água limpa e é fácil viver sob um teto. E então?


Nós vivemos em uma sociedade que busca nos controlar, nos manipular para que façamos o que ela quer: consumir, dizer a hora em que devemos nos levantar, como devemos nos vestir ou que trabalho podemos exercer. É por isso que nós sofremos. Esta desnaturalização do ser humano traz profundos sentimentos de ansiedade.


Marcos diz que com ele isto não acontecia, ele vivia somente o presente. “Eu só sabia que o sol nascia e, depois de um tempo, chegava a escuridão, nada mais.” Este modo de viver o dia o tornava livre e, portanto, uma pessoa feliz”.
 É verdade que nenhum de nós viverá a vida de Marcos, mas nos faria bem se começássemos a nos livrar de necessidades absurdas; podemos caminhar mais rápido com uma bagagem mais leve e observar a abundância que temos ao nosso redor. Tudo isso nos dará asas e lucidez para descartar muito sofrimento desnecessário.
Fonte: A mente é maravilhosa

Nenhum comentário:

Postar um comentário