terça-feira, 20 de junho de 2017

Estudo mostra que tomar álcool na gravidez (mesmo pouco) pode mudar o rosto do bebê

Olesiabilkei/IStock
Já é sabido que tomar álcool durante a gestação compromete o desenvolvimento físico e mental do feto, mas ainda não há um consenso sobre qual quantidade é suficiente para causar efeitos.


Um estudo publicado no jornal JAMA Pediatrics, da Associação Médica Americana, resolveu investigar essa relação e descobriu algo alarmante: beber pequenas doses de álcool na gravidez é capaz de alterar a fisionomia do bebê. Entenda:

Beber nas primeiras semanas de gravidez faz mal

ArtTim/IStock
Documentada por estudiosos de diversas instituições, a pesquisa durou quase dois anos e analisou 1.570 gestantes, sendo que 27% ingeriu pequenas quantias de bebidas alcoólicas enquanto grávidas.


Quando os bebês completaram um ano de vida, 415 tiveram seus corpos fotografados por câmeras, que serviram de base para que um programa criasse modelos tridimensionais.
As imagens 3D foram submetidas a uma análise por meio de algoritmos os quais mostraram que os filhos de mães que ingeriram pouco álcool, como apenas um ou dois goles, apresentavam alterações no rosto, como nariz menor e arrebitado.

É definitivo?

Apesar de não serem aparentes a olho nu, as mudanças são apenas estéticas e não alteraram em nada o cognitivo da criança. 

Ainda não se sabe se as alterações serão naturalmente corrigidas com o crescimento infantil ou se surgirão novas, mas os estudiosos prometem seguir acompanhando as crianças pesquisadas.

O que o álcool pode causar na gestação?

 

Segundo a neuropediatra e geneticista Iara Brandão, da Neurogen Saúde, os efeitos do consumo do álcool durante a gestação são estudados desde 1968. Desde então, foi descoberto que tomar álcool é um dos hábitos perigosos na gestação, pois tem efeito significativo sobre o desenvolvimento do sistema nervoso central.


“As alterações geradas pela substância caracterizam o espectro fetal alcoólico (EFA), que é um conjunto de sinais no feto que variam desde condições complexas, como microcefalia e atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, até menores, como hiperatividade, dificuldade de inibir impulsos, desatenção, deficiência intelectual e mudanças físicas na face”, ressalta a especialista.


Quanto pode tomar?

A médica ressalta que não existe um limiar seguro que evite os riscos de beber na gestação. No entanto, sabe-se que o risco é proporcional à dose, ou seja, quanto mais tomar, maiores são as chances de o feto ter alterações congênitas.


Assim, a ação mais segura é se privar da substância durante nove meses.

Fonte: VIX - Escrito por Ligia Lotério

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