sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mãe denuncia racismo em livro didático de escola privada em Recife

Mãe de uma criança de 3 anos que estuda em uma escola particular de Recife, em Pernambuco, denunciou um livro didático, da editora Formando Cidadãos, por racismo.


No conteúdo, um dos exercícios pedia para que as crianças circulassem o lar em que as pessoas estão felizes. No enunciado, há famílias sentadas à mesa, sendo que a de cor branca estava feliz e a de cor negra, triste.  Em outro exercício, o aluno precisa ligar cada personagem a suas respectivas profissões. O único personagem negro aparece com uma vassoura na mão e é ligado ao desenho de um corredor com uma pá e um balde. Já os outros dois personagens – de com branca – são ligados a uma mesa com computador e a uma sala de aula.

Segundo a editora, a mulher analisou apenas duas atividades do livro e que em outras páginas, há exemplo em que os negros são os “protagonistas”. Quem realizou a denúncia foi Aline Lopes, em seu perfil do Facebook. Ela disse que nunca se sentiu excluída ou socialmente privada devido a sua pele clara. Porém, ela tem dois filhos negros e começou a sentir o peso do racismo dentro de casa.


“Desde então, eu tenho de lidar com coisas desagradáveis, com as quais nunca passei na minha infância. Já teve professora que prendia o black da minha filha na escola. Já teve coleguinha discriminando. Agora, teve livro perpetuando o negro sempre na pior representação possível. O negro triste. Feio. Servente. Nunca é o negro médico, professor, advogado”, disse a mãe, em seu Facebook. De acordo com Aline, a escola em que os filhos estudam já está tomando providências sobre o caso. Ela preferiu não divulgar o nome da instituição.


“Todo livro tem uma equipe que lê e relê o conteúdo didático que será publicado. Por que isso não foi revisado antes de chegar nas mãos do estudante? É preciso ter noção. Essa publicação é para um público vasto de alunos. Isso não poderia ter passado. Nas escolas particulares também existem alunos negros”,relatou a mãe.


Aline disse que não há problema com a profissão, mas ela questiona a razão de sempre ser associada a negros. “Não acho certo diminuir o papel do negro. Isso é complicado, principalmente no material didático. É um absurdo. Esse conteúdo é muito usado em várias escolas particulares e nada, até hoje, foi feito. São anos de racismo e não de um ato falho”relatou.
 A editora


Paulo André Cavalcante Leite, gerente administrativo da editora Formando Cidadãos, defende que não há preconceito no material. Segundo ele, o livro está no mercado há quatro anos e nunca houve nenhum problema. “O livro não é composto por uma página, a coleção conta com mais de 12 mil páginas, em 148 livros didáticos e literários para crianças de 2 anos até 14 anos. Ela (a mãe) está se pautando em apenas duas atividades. Nesta mesma coleção, existem outras imagens onde o negro é o protagonista da cena, como professora negra e bailarina negra. Se houvesse algum tipo de racismo, com uma obra sendo trabalhada há quatro anos, já teria alguma reclamação”, esclarece Leite.

Paulo relatou que em 2018, a editora reformulará o conteúdo para não acontecer mais esse tipo de problema. No Facebook, a instituição abomina qualquer tipo de intolerância e preconceito e diz que todo o material é representativo em relação às etnias.

[ DCM ] [ Fotos: Reprodução / DCM ] -Via Jornal Ciência -
de Julia Moretto

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