sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ter filhas meninas traz à tona lado mais emotivo dos pais, diz estudo

Debasige/Shutterstock
Fala mais calma, mais sorriso e aceitação de emoções para as meninas. Competição, falas mais duras e certa indiferença para os sentimentos dos meninos. Um novo estudo realizado pela Universidade de Emory afirma que este não é só o comportamento padrão de pais de crianças pequenas, mas que também é a forma como o cérebro reage à prole.

O artigo publicado no jornal Behavioral Neuroscience traz à tona uma pesquisa realizada com pais de 52 crianças de um a dois anos (30 meninas e 22 meninos). Constatou-se que as reações cerebrais desses pais respondem de forma diferente de acordo com o gênero de seus filhos - são mais atentos às necessidades das meninas que dos meninos.

"Se a criança grita ou pede papai, os pais das meninas responderam mais do que os pais dos filhos", disse a pesquisadora principal, Jennifer Mascaro. "Devemos estar cientes de quão inconscientes noções de gênero podem desempenhar na forma como tratamos até crianças muito novas", concluiu.

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Como estudo foi feito

Para coletar dados não influenciados por ambiente de laboratório, os pesquisadores anexaram aos pais computadores que ficariam um dia útil e um dia de fim de semana inteiros com eles. Este equipamento poderia gravar qualquer som na relação com as crianças. Em paralelo, eram feitas varreduras de suas atividades cerebrais.


Em outra fase da pesquisa, os pais foram submetidos a um acompanhamento neural enquanto visualizavam fotos de adultos, crianças e dos próprios filhos com expressões faciais felizes, tristes ou neutras.


Nesta fase, apurou-se a reação de áreas do cérebro dos pais relacionadas à recompensa e regulação emocional. No caso das meninas, as respostas foram mais expressivas às fotos das filhas felizes; no caso dos meninos, as respostas mais fortes se deram quando viam as fotos em expressões neutras.


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Palavras e impacto que causam

Há uma nítida diferença no léxico que os pais usam com seus filhos e filhas. Para as meninas, é mais comum o uso da linguagem analítica, como, por exemplo, as palavras “todos” e “muito” - são termos associados ao sucesso acadêmico. Já com os meninos, nota-se uso frequente de linguagem competitiva, caso dos termos “orgulho”, “vitória” e “superior”.


Na relação com as filhas mulheres, foi notado também que há muito mais palavras e termos relacionados ao corpo - o artigo dá exemplos como “barriga” e “pé”. Os autores relacionam esta informação a pesquisas com meninas pré-adolescentes, que são mais propensas a relatar insatisfação corporal e baixa auto-estima em relação a sua imagem.


Por outro lado, relatam os pesquisadores, há resultados que constatam que é mais frequente que homens adultos estejam mais ligados à depressão, insatisfação conjugal, diminuição da intimidade social e dificuldade de aceitação a tratamento de saúde mental.

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 A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, portanto, ressalta o artigo, deve ser entendida dentro de um certo aspecto social e cultural. “Mas é importante entender como suas interações com seus filhos podem ser tendenciosas com base no gênero", alerta a professora Mascaro.



Fonte: VIX - Escrito por Luiz Felipe Silva

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