domingo, 4 de junho de 2017

Um sexto sentido acaba de ser detectado na língua humana

Por milênios, cientistas têm tentado descobrir se a língua de um mamífero pode especificamente saborear a água, ou se seus cérebros apenas estão respondendo aos efeitos já conhecidos de algo que foi provado anteriormente. 


Agora, eles finalmente conseguiram chegar a uma resposta. Em um estudo publicado pela Nature Neuroscience, pesquisadores afirmaram ter localizado que parece ser um sexto sentido da língua, que evoluiu para perceber a água. 


A língua pode detectar vários fatores de nutrientes, chamados de saborizantes– como o sódio, o açúcar e os aminoácidos – pelo gosto“, disse o pesquisador principal do estudo Yuki Oka, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA. “No entanto, como sentimos a água na boca ainda era algo desconhecido. Muitas espécies de insetos são conhecidas por ‘saborear’ a água, então nós imaginamos que os mamíferos também podiam ser iguais”.


Por volta de 330 a.C., Aristóteles declarou que a água não tinha gosto. Ela era apenas um veículo para os sabores que já havíamos experimentado anteriormente. Essa sugestão de que o “sabor” que sentimos quando bebemos água é apenas efeito posterior de algo que comemos antes veio à tona novamente em 1920, e décadas depois foi apoiado por uma série de estudos históricos feitos pela psicóloga Linda Bartoshuk, da Universidade da Flórida. Seus experimentos sugeriram que até mesmo a saliva tem mais sabor do que a água.


Recentemente, experimentos revelaram que partes específicas do cérebro respondem à água, o que sugere que, talvez, haja nela um sabor que nossa mente pode detectar, mesmo que a língua não o faça. Contudo, essa hipótese não é exatamente segurada pelo escrutínio da ciência. De acordo com o neurocientista Zachary Knight, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, nosso único sinal para parar de beber água não pode ser baseado apenas em nosso lento movimento dos órgãos internos.


O cérebro deve receber informações sobre a água da boca e da língua, porque os animais deixam de beber muito antes que os sinais do intestino ou do sangue digam ao cérebro que o corpo foi reabastecido“, explicou. Agora, o debate foi reiniciado. Fato é que Oka e sua equipe encontraram evidências de receptores de gosto na língua de mamíferos que parecem responder especificamente à água potável.


Em experimentos realizados em ratos, a equipe mediu as respostas elétricas das células receptoras de gosto (TRCs) na língua em relação à água pura e uma com uma série de saborizantes comuns. Como esperado, os nervos responderam aos cincos gostos básicos: doce, amargo, azedo, salgado e umami. Porém, os pesquisadores também detectaram um sinal em resposta à água.


Isso foi emocionante porque implica que algumas células de sabor são capazes de detectar água“, disse um dos membros da equipe, Dhruv Zocchi. Em seguida, os pesquisadores optaram por “inativar” essas células receptoras de sabor para ver se os ratos ainda respondiam, mesmo que os nervos correspondentes estivessem bloqueados. Então, quando bloquearam o receptor de sabor salgado, o sal não causou atividades nos nervos, embora os saborizontes doces tenham sido recebidos como de costume. Mas, e curiosamente, quando bloqueados os cinco tipos de células receptoras de sabor em resposta à água, eles notaram que a percepção do líquido e suas respectivas células eram inseparáveis.


“Para nossa surpresa, quando inativamos as células do gosto azedo, as respostas da água também foram completamente bloqueadas”, diz Oka. “Os resultados sugeriram que a água é detectada através de células de gosto azedo“. Mas, se nós tendemos a associar a acidez com algo muito específico – e na maioria das vezes desagradável, porque ela está vinculada a nossa percepção da água? De acordo com Zocchi, “talvez as células do azedo não estejam diretamente ligadas à acidez desagradável que percebemos, mas, em vez disso, elas podem induzir um tipo diferente de gosto, como a água, quando estimuladas“.

Embora a descoberta ainda não tenha sido replicada em seres humanos, ela sugere que temos sido muito simplistas quando se trata de nossa compreensão sobre a língua dos mamíferos. O órgão é muito mais complexo do que imaginamos e pode haver ainda uma série de sentidos escondidos dentro dele.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]  - Via Jornal Ciência

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